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Software é campo fértil para MPEs.
O uso da tecnologia para impulsionar os negócios movimenta um mercado que se expande
rapidamente no Brasil. Segundo o estudo Software e serviços de TI: a indústria brasileira em
perspectiva, da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex), o segmento
de Tecnologia da Informação (TI) mantém uma taxa de crescimento médio de 7,8% ao ano. A partir
desta perspectiva, diz a entidade, o faturamento da indústria de TI deve atingir os R$ 44,5 bilhões
em 2009.
O amplo segmento classificado na pesquisa como Indústria Brasileira de Software e Serviços
de TI (IBSS) vê o número de empresas crescer a cada ano. De acordo com o estudo, à exceção do
período entre 2003 e 2004, o IBSS mantém uma expansão média de 4,8% ao ano. Até o final de 2009,
projeta a Softex, cerca de 67,8 mil companhias estarão em operação no País.
Segmentos como os de outsourcing e desenvolvimento de softwares sob encomenda, entre outros,
estão entre os mais quentes do setor. As empresas da IBSS são, em geral, pequenas e micro. Em 2005,
83,9% do total possuíam até quatro pessoas ocupadas. Em 2007, a participação das MPEs se mantinha
elevada: 84,3%.
Barreiras baixas à entrada de novas empresas no mercado e as chances maiores,
comparativamente a outras atividades econômicas, de sobrevivência nos cinco primeiros anos de vida,
também explicam o número elevado de empresas de pequeno porte.
Além de atender e abastecer o mercado interno, a indústria de TI vai aos poucos estendendo
seus t entáculos para o exterior. Dados da Softex apontam que a exportação de produtos e serviços
brasileiros na área cresceram cerca de 397% nos últimos três anos, pulando de US$ 604 milhões em
2006 para US$ 3 bilhões este ano. "O mercado consumidor é muito pulverizado, mas há destinos com
muito potencial, como o Japão, especialmente no segmento de aplicativos para celular, e os países
de língua portuguesa", diz Forman.
Movidos pela Inovação - Rybius
Sediada em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, a Rybius Tecnologia é uma desenvolvedora de
software para as áreas técnicas de empresas dos set! ores elé trico e de energia. Fundada em 2007,
a companhia é associada à Incubadora Origem, que faz parte do Instituto Politécnico da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Participante do programa Primeira Empresa Inovadora (Prime), da
Finep, a empresa se prepara para lançar seu primeiro produto no mercado - a previsão é para março
de 2010.
"Trabalhamos no desenvolvimento deste software há três anos. Tivemos a sorte de encontrar
uma grande companhia para abraçar nosso projeto. A Lafarge, que atua nos segmentos de cimento,
concreto, gesso e agregados, contratou-nos para desenvolver e implantar na empresa a ferramenta,
servindo não apenas como empresa-âncora, bem como nos oferecendo amplo suporte", revela Marcos
Marconi, sócio da Rybius.
Para Marconi, o principal desafio enfrentado pelas empresas de TI durante seu start-up é
levar o produto ao mercado. "O apoio técnico da Lafarge, combinado com as verbas e financiamentos
obtidos junto a instituições de fomento, está nos oferecendo uma vantagem competitiva inestimável.
Com ela, tivemos a chance de amadurecer a empresa e o produto antes de levá-lo, de fato, para os
clientes", avalia.
"Levantamos R$ 500 mil com instituições de fomento. Com a verba, além de lançar o produto no
mercado, estamos investindo em sua adaptação à plataforma Web 2.0", revela.
Impulso dos private equity, além de Finep e incubadoras
A trajetória da maior parte das empresas que compõem o setor de Tecnologia da Informação
(TI) se assemelha. Do desenvolvimento do protótipo ao seu posterior lançamento no mercado, várias
companhias passam pelo circuito das incubadoras - onde os empreendedores adquirem noções de gestão
- e pelos programas de fomento - por meio do qual levantam a verba que faltava para o lançamento do
produto/serviço.
Instituições como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), entre outras, oferecem programas de financiamento
sob forma de subvenção - aplicação de verbas públicas não-reembolsáveis - e empréstimos a juro
zero. "Participar de programas de subvenção é uma alternativa interessante, mas a empresa não pode
depender disso", diz Ricardo Villaça, sócio da AgeMcia.
O setor de TI conta ainda com uma linha de crédito específica junto ao Banco Nacional do
Desenvolvimento Econômico e Soc ial (BNDES). Lançado em 1999, o Programa para o Desenvolvimento da
Indústria Nacional de Software e Serviços de Tecnologia e Informação (Prosoft) dispõe de R$ 5
bilhões em recursos. Até julho de 2009, a carteira acumulada de projetos somou R$ 2,8 bilhões,
equivalentes a quase 300 operações, concentradas nos últimos três anos.
"Em sua maioria, os fundos de risco levam em conta critérios como inovação e o mercado em
que a empresa atual, mas o perfil do empreendedor, bem como sua equipe, são aspectos fundamentais",
explica Marcelo Romeiro, sócio do fundo Rio Bravo Investimentos.
Fonte: Jornal do Commercio - Caderno Seu Negócio - 14/12/2009
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